(continuação)
No lapso entre a fedentina dum cigarro e outro, "papai" busca e traz o material contendo o aludido texto de sua lavra.
Caderno surrado, tipo sobra escolar, sortidas "orelhas de burro", sujo e malcheiroso a tabaco. Em contrapartida, "rico" em rasuras manuscritas - amorfas e assimétricas, ora a grafite, ora a tinta. Os garranchos do "intelectual" ignoravam as linhas (pautas), numa sequência de aclives e declives, espalhando-se praticamente em espiral. Enfim, um rascunho surreal do imaginário mapa do inferno...
Não quis contrariar, mas achei deseducado tratar de assunto alheio ao propósito festivo da noitada. No entanto, àquela altura encarei a "questã" ou "cuestã" e os "poblema" da "riscaiada" (diz-se assim no "corretíssimo" português do sabichão).
Sem intenção de tergiversar, corri os olhos sobre o conteúdo, um hilariante labirinto hieroglífico. De cara, falei da necessidade de corrigir quatro das cinco primeiras palavras decifradas, afora a pontuação. Isto bastou para o párvulo disparar seu modus operandi. Sem tirar o cigarrinho da boca, balança o "prego" no ritmo da fala (incrível, não cai...) e sob cinismo solta o verbo dizendo "... ah, jornalista é? é jornalista, é? jornalista?". E decreta: "tu não sabi iscrevê, meu... o sinhor não sabi iscrevê...".
Fumando vorazmente o mata rato, sente-se corajoso e encouraçado, louco pra perguntar "tu sabi com quem é qui tu tá falando, meu?".
Desisti, em respeito à ocasião, ao clima de festa e ritmo de primeira vez! Ele, porém, confundiu educação com medo, mantendo a cara feia, como sempre.
Constatação: muitos transpareciam temê-lo. Por quê? Façam suas apostas...
(continua...)